Olá

Bem vindo a partes de mim



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

é dia nove.
eu sinto o peso de oito meses.
São oito meses percebendo que morremos
e até hoje eu não sei.
Foram oito meses alternando entre realidade e fuga, dor e ausência, coragem e angústia.
São oito meses sabendo que morremos.
E por isso, desejando tanto viver.
Contudo, eu não sei dizer
tem um pedaço meu errado, colado errado
ele sobra e falta
é mais de um ano sem compreender nada, perdida em mim.
Me vejo, hoje,
aprisionada na própria solidão.

meu olhos são terra seca, rachada, ardendo
e não choro.
por dentro, enquanto, se faz tempestade
e os barcos sofrem, viram, são judiados pelas águas
num fosso escuro que se escondeu o que sinto
morremos. e a morte nos faz pequenos demais.
tenho medo de partilhar a vida, sinto que desaprendi
sinto que não sou capaz
de ser confortável a outro ser

sinto que a vida é real.
e isso me incomoda.
É real, e por isso finda.
Finda como todos os dias são findos
e todos os atos são despedida

me sinto longe
porque parece errado viver a juventude sem você
por mais que você quisesse tanto viver
mas eu não me sinto pronta
eu me sinto estranha
eu me vejo fora
eu me vejo distante

o caos

a incerteza

e me fecho.

Não feito rosa. Mas feito pontes levadiças. Concreto. Real. Impenetrável.
Grito do alto da torre e não há resposta.
o que considerei janela era espelho.
e a imagem refletida continua muda.
É minha alma que chora e é ela mesma que grita
portões fechados
os gritos ecoam por dentro da muralha
e o reflexo no espelho não emite nenhum som
nenhuma expressão
nem sequer vibra, contendo o impulso

Medusa, petrificada por seu próprio castigo
percebe que na verdade não é uma mulher fácil
assim como a vida também não é essa mulher
não reconhece o espelho não reconhece o grito não reconhece nada

é um bicho complexo demais

não é estátua
não é o que queria ser
só sabe que é
seja o que for

Percebe-se distante. E ao se aproximar, já não percebe-se.

silêncio. ausência. dor. fuga. medo. sabotagem. solidão. morte. medo.

apoio. abraço. coragem. compreensão. eu te vejo. eu te amo. despedir-se.

aceitar. encarar. transformar.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

DERRADEIRO

te quero.
É tudo que se há para dizer.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

eu estaria mentindo se dissesse
que você me deixa sem palavras
a verdade é que você deixa minha
língua tão fraca que ela esquece
a língua tão fraca que ela esquece
a linguagem que fala

RUPI KAUR

segunda-feira, 10 de julho de 2017

preciso amar quem ama o que eu sou
não quem poderia amar quem eu acredito ser

segunda-feira, 12 de junho de 2017

PRECE

Sou uma mulher devota
Sempre fui
Me apego à santidades
E então todos os meus atos são reza
Quando chega à noite e me deito ao seu lado
Na cama
Percebo quão divino é esse gesto
Olho seu corpo nú como quem se prostra
Diante de um altar
Cada marca na pele é pra mim como uma parábola
contando histórias pra alimentar minha fé
No milagre da sua existência
E quando te toco
Me sinto uma mulher abençoada
A cada beijo que espalho em teu corpo
Uma energia nova me invade
E sinto que somos um só
Corpo sangue alma
Me entrego a tal ato
Em completa devoção
Suspiros e gemidos uníssonos
Como uma prece:
Silenciosa
Profana
Descabida.
Mas de fé
E o coro da nossa oração
Nos eleva ao êxtase
Por tua força
Subo aos céus
Deito novamente ao seu lado
e possuo a certeza de que a paixão
me faz crente
que teu corpo é hóstia
- entrando em minha boca e se tornando parte dela -
e juntos somos a oração
que reascende a Divindade


domingo, 11 de junho de 2017

meu corpo abriga os mistérios do mundo
é terra sem lei, sem escrito, sem rumo, sem traço
trago em mim as cores de pintar dia
a luz que explode no céu da noite
que afasta o medo e desbrava a solidão

eu sou solidão
tenho em mim as dores de quem viu
se permitiu enxergar
e quero o vermelho de sua boca me ajudando a escrever amor no papel
porque é preciso acreditar no amor
porque é só o que nos resta
um mundo sem amor é cruel demais
e eu acredito que tu caminhas por ai
chutando pedras lunares e colhendo conchinhas na praia
só pelo prazer de colocá-las no mesmo lugar

eu sei que há também sua dor
seus rasgos, suas cores doloridas
e há também nosso medo
nossa confusão
a cidade que nos inebria

mas eu prefiro acreditar no amor
e que, talvez assim,
se possa escapar da dor do mundo
se possa escolher ver beleza também
com os mesmos olhos que viram a desordem e o caos

eu sei que há em algum lugar uma forma de juntas espaços
e que os universos se tocam
se não, como nasceriam as estrelas?
eu sei que de alguma forma
teu doce meu doce
tua dor minha dor
nossas cores
e os mundos em expansão
ousam se tocar
e permitem que nasçam estrelas
e permitem que nasçam planetas
e permitem que a gente crie nossa própria história
e permitem que se crie magia

eu sei que existe. Porque é cruel demais pensar que não.
eu sei que em algum lugar as pessoas ainda querem amar
do jeito simples, do jeito feliz, do jeito encantador
que é permitir que nossa expansão se toque

ainda haverá poesia de dois

quinta-feira, 18 de maio de 2017

existe sempre um mundo através da cortina
e outro ainda por dentro do espelho

sábado, 13 de maio de 2017

café da manhã na feira
café docinho tapioca no leite de coco
feira zoadenta que nem upanema, muita saudade
sentir em casa
castanha 5 reais
tarde com mariana
brownie
bolo de leite de avó
chegar em casa cedo
comida de jarina
brownie
documentário oceanos
foto de mylena com a irmã
cobertor quentinho
felicidade
e ontem eu ainda dancei forró!