Olá

Bem vindo a partes de mim



sábado, 30 de dezembro de 2017

quero deixar aqui escrito o quanto fui feliz visitando Brasília, conhecendo a família de Lucas, observando a cidade que sonho em estudar, acordando em meio à natureza e rindo tão fácil. Preciso registrar também, pra quando os dias foram difíceis ou quando qualquer sentimento paira longe demais de mim, o quanto amo Lucas. É renovador encontrá-lo e sinto que o mundo inteiro dança mais leve quando estou ao seu lado, o seu olhar - tão profundo quando encontra o meu -  parece adentrar nas camadas mais íntimas de mim, e então aconchegá-las. É calmaria, um amor palpável, que me habita o peito e reverbera por toda pele. O amo, da forma mais linda que se pode amar: sem medo. Agradeço quando encontramos nossas mãos e assim dormimos, também quando sorrimos e entre os sorrisos cria-se uma conexão tão linda que quase é possível enxergá-la. Amo-o quando encosto meu rosto em seu peito e consigo ouvir seus batimentos; quando sobreponho minhas coxas às suas pernas sempre insones; quando me faz cócegas e olha de um jeito bobo e safado; quando aproxima seu corpo do meu em meio às tempestades e sinto que meu barco já não irá naufragar, encontrou porto.

É este sentimento botão, de onde tudo floresce, que agradeço, por me mostrar pode ser bonito partilhar. Agradeço também ao sentimento que se manifesta toda vez que o vejo, embora não possa descrever tal fenômeno. Sinto que o mundo inteiro pode ser bom, porque dentro de mim nasce e cresce algo tão encantador que minha única reação é aprender com isto e permitir que me transforme.

É difícil - talvez por ser demasiado simples - descrever a onda de sentimentos bons que vivo ao lado deste menino. Digo, portanto, que é amor. Amor leve, imenso e prazeroso.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

eu tenho muito medo de não conseguir
e sinto muita falta da minha família
me dói ter crescido só
me dói sentir que cresci só
mas tenho muito orgulho de mim
não pelo que sou
nem pelo que me tornarei
nem por qualquer outro motivo que as pessoas pudessem ver ou notar
eu tenho um orgulho danado de todas as vezes que consolei meu choro
que não me deixei cair ou quebrar em um ataque de pânico ou ansiedade
eu tenho muito orgulho de todas as vezes que fui meu próprio ombro
e pés, e colo
tenho muito orgulho de ter sobrevivido
e sobreviver todos os dias

isso não é um poema
são os pensamentos soltos de lembrete
mesmo que eu nunca seja boa
mesmo que eu nunca consiga
mesmo que eu falhe, erre
mesmo que eu fique pelo caminho
todos os dias em que eu for capaz de enxugar minhas próprias lagrimas
eu vou saber que eu venci

28 de novembro de 2016
As luzes da cidade esqueciam de aquecer quando precisavam dividir espaço com o calor do corpo dela.


Era ainda antes da meia noite, mas o vento marítimo desta esquina do continente não costuma perdoar quem nasce do agreste e desce para a praia; meu corpo tremia de frio e os pelos arrepiavam-se nos calafrios da espera interminável que precedia a sua chegada. Naquele tempo, aguardando sob a luz amarela dos postes - claros demais -  do setor I, eu tilintava os dedos na mesa, ansiosa pela visão que encheria meu corpo de calor, mesmo sem saber se estava preparada para receber tal onda.

31 de outubro de 2016
chega a madrugada e eu preciso ler poesias.
preciso ler poesias como quem come de colher as letras
preciso me afogar na saliva prepotente de todos os deus carnais pra esquecer o gosto do seu suor me travando a pele pelo arrepio
me lambuzaria todas as vezes que o poeta me dissesse a palavra amor
só por lembrar da tua língua me beijando os Lábios

5 de novembro de 2016
composição renascentista
nosso amor em barroco
de tantos enfeites e cores
que derramamos sem dó

a deusa escupida em pele humana
os tecidos finos que cobrem o corpo
e caem ao chão em ondas
enquanto ela posa, impecável
pros meus olhos lentes quadro pincéis

perfura-me
com os olhos de tigresa.
jorrando o sangue
que se espalha
é também parte do quadro.

anjos caídos e demônios domesticados
a terra em chamas e o céu que se abate

o amor enquadro

eu amo demais jarina por todas as vezes que ela segurou minha mão até a gente adormecer só porque eu tinha medo

*pra lembrar de amor, educação e direito*

escrever pra mim é a forma de existir no mundo. E, por isso mesmo, também acaba sendo grande parte de minha rotina. Escrevo sobre qualquer segundo que me prendeu um pouco mais de atenção; constantemente rabisco as cores, as poesias, os acontecimentos mais inacreditavelmente diários vão parar nas folhas dos meus mil caderninhos. Mas sobre essa despedida, eu enrolei até o último segundo. Tive tanto medo dessa despedida que fui assim, varrendo pro fim do dia, pro fim de semana, pro fim do fim de semana... Mas até o fim do fim chega. Enquanto escrevo e apago essa frase milhões de vezes, lembro que gastei quatro ou cinco folhas do meu caderninho tentando rabiscar sobre isso, mas sempre em vão. É complicado juntar em um texto só tudo que educação é pra mim, ainda mais precisando colocar nesse texto também tudo que sonhos são. Agora imagine um texto em que eu preciso falar de educação, de sonhos, e da pessoa que me ajudou a reencontrar meu sonho, através da educação, num mundo cinza-sério-demais.
 Aos cinco anos eu decidi que seria professora (depois de e decidido ser poetisa sem saber muito bem como se fazia isso). Hoje, aos 20, tenho mais certeza do que nunca: eu serei professora. Um dia, em uma festa do efetivando, me olhei no espelho e concretizei "serei mãe e professora. Não importa onde, não importa de quem", pra nunca esquecer quais são meus maiores sonhos. Em uma aula de direito do consumidor eu percebi que havia encontrado algo com o qual poderia trabalhar no direito, pois foi onde, depois de mundo tempo, redescobri a curiosidade. Foi escrevendo um relatório para sua disciplina, após uma visita ao CEDUC, que eu percebi que trabalhar com infância e juventude é o que me enche os olhos. E, mais uma vez, foi em uma aula sua, dessa vez de Direitos Humanos Fundamentais, já enquanto monitora, foi que a certeza, cortante, decisiva e irrefutável me arrebatou: o único caminho possível para a educação é o amor, porque é somente através dele que podemos enxergar e tocar o outro, e somente por um contato sincero, humilde e humano é que tornamos possível o processo educacional. É somente quando trazemos o outro para perto que conseguimos nos comunicar. Educação é troca, é comunicação. Educação é amor. Educação é coragem: para ser amor, se despir diante do mundo e arriscar sonhar.
Angelo, existem muitas coisas que eu preciso ainda te dizer, sobre o quanto me inspira e me faz crer em mim. Você talvez nem tenha ideia do tamanho da sua importância, para minha pessoa e para meus objetivos profissionais, mas você é pra mim como um farol. Não é âncora, porque sabe que o mais importante do mar é desbravar, e nunca me acorrentaria a só um chão. Também não é mapa, porque entende que meu caminho talvez seja traçado por outras rotas, e talvez nem mesmo o destino esteja certo ainda. Você é farol porque é guia, é referência, é quem nos leva ao porto. O farol é quem buscamos nas noites de tempestade quando as ondas ameaçam virar o barço; é também quem nos dá a tranquila certeza de sua presença nas noites mais calmas, quando apenas decidimos nos afastar da costa para conhecer novos lugares. O farol é a certeza de casa, mesmo quando nos alça a expedições mais longas. O farol é quem diz: navegue, mas não perca a erra de vista. E quando nas confusas ou solitárias noites sem sonho e sem estrelas, perdemos as esperanças, eis que o farol ressurge de um de seus giros, nos lembrando que há esperança.
Em pedagogia da esperança Paulo Freire nos fala do que mais é feita a educação, muito além das receitas e das objetividades, é preciso também tter esperança. E desde que comecei a ler esse livro eu tenho mais certeza que precisamos alimentar as pessoas, não apenas de comida, de condições de vida, de resolução de problemas jurídicos; mas é preciso alimentar a alma das pessoas, colocar gosto, vida, cor, sonho, textura, prazer. É preciso enxergar no outro uma pessoa, e mostrá-la isso. A esperança é como o adubo do campo de sonhos. É quem nos lembra que podemos sonhar. Esperançar (não de quem espera, mas de quem tem esperança) é construir o sonho, é mudar o mundo, é ter a rebeldia de amar. 
Você, farol, pra mim é o reacender da esperança, por acreditar em mim, por perceber aqui outra humana, por acreditar na educação, por ser um educador, por batalhar querendo sempre querer ser - e nisso nos mostrando que nós também podemos - ser mais. 
O farol, em seus ciclos, também nos deixa por algum tempo enquanto alumia o outro lado do mar. Assim como tudo na vida, obedece a fina lei da impermanência. E por isso mesmo, indo e voltando, nos encoraja a desbravar o mar, sabendo que uma hora volta pra nos lembrar o caminho de casa.
Espero que seu novo ciclo seja de aprendizados e ensinamentos, que você conheça, ilumine e seja iluminado por muitas pessoas, que seus passos sejam sempre protegidos, abençoados e num caminho de crescimento. 
Gratidão por tudo, Ângelo. Por acreditar, por sonhar, por me lembrar que é possível ser feita de carne e osso nessa máquina de moer gente que é o Direito. Obrigada por lembrar que é possível.
Sentirei saudades, mas uma saudade com o coração cheinho de orgulho e felicidade. Nos encontraremos ainda pela estrada, sonhando e construindo um mundo melhor. Até o próximo giro, farol. Alumie.

Beijo!

escreva, janari
quando não houver esperança
e o medo brotar em seu lugar.
quando não há caminho,
ouse abrir um com seus dedos:
desenhe letras.

escreva, permita
que corra dentro de você
todas as águas do mundo
desembocando em poesia

lembre-se de sentir
que arte é o que você faz
quando se despe do mundo

(coragem. coragem)
um sentir-coragem.
que transforma todo sentimento
em revolução
e não há nada mais
corajoso, mais utópico
e mais ousado que
colocar-se entregue
à tudo que movimentar sua alma.